domingo, 28 de fevereiro de 2010

Homens: mirem-se no exemplo daquelas mulheres de Atenas


Mulher! Um vocábulo simples que abrange uma significação complexa. Um ser de infinita adjetivação social que traz consigo o dualismo de sentimentos que são inerentes da essência feminina. Embora considerada um sexo frágil, ela vem mostrando a bravura de ser mulher. De uma simples imagem de objeto sexual e/ou reprodutora, a mulher vem conquistando, lado a lado com o homem, o seu espaço na sociedade desigual.
Desde o momento da construção da consciência feminina, a mulher na sua trajetória histórica vem lutando contra a visão machista da sociedade sem perder o que é mais de precioso: os aspectos subjetivos dos seus sentimentos.
Frágil, Guerreira, amante, entre outros. São vários os adjetivos relacionados à mulher que tentam dimensionar as características femininas quem embora a descrevam, não conseguem contemplar a infinidade da sua singularidade humana.
Sem perder o seu encanto, elas fazem parte do mercado de trabalho desleal; sofrem o assedio moral e sexual de uma sociedade que tenta desvalorizar seu papel na economia que ainda crer que a mulher é para o lar e educação dos filhos. A mulher é muito mais do que um simples lar; ela é construtoras dos avanços sociais. Com sua particularidade sentimental, elas conseguem conquistar o que querem.
Embora, seja alvo da brutalidade da competição do mercado de trabalho, elas conseguem educar e amar como ninguém. São mulheres como aquelas de Atenas cantada por Chico Buarque que são exemplos de amor e dedicação:

"Mirem-se no exemplo/ Daquelas mulheres de Atenas/ Vivem pros seus maridos/ Orgulho e raça de Atenas/ Quando amadas se perfumam/ Se banham com leite, se arrumam/ Suas melenas. Quando fustigadas não choram/ Se ajoelham, pedem imploram/ Mais duras penas, cadenas.
Mirem-se no exemplo/ Daquelas mulheres de Atenas/ Sofrem pros seus maridos/ Poder e força de Atenas/ Quando eles embarcam soldados/ Elas tecem longos bordados/ Mil quarentenas. E quando eles voltam, sedentos. Querem arrancar, violentos/ Carícias plenas, obscenas.
Mirem-se no exemplo/ Daquelas mulheres de Atenas/ Despem-se pros maridos/ Bravos guerreiros de Atenas/ Quando eles se entopem de vinho/ Costumam buscar um carinho/ De outras falenas/ Mas no fim da noite, aos pedaços/ Quase sempre voltam pros braços/ De suas pequenas, Helenas.
Mirem-se no exemplo/ Daquelas mulheres de Atenas/ Geram pros seus maridos/ Os novos filhos de Atenas/ Elas não têm gosto ou vontade/ Nem defeito, nem qualidade/ Têm medo apenas/ Não tem sonhos, só tem presságios/ O seu homem, mares, naufrágios/ Lindas sirenas, morenas.
Mirem-se no exemplo/ Daquelas mulheres de Atenas/ Temem por seus maridos/ Heróis e amantes de Atenas/ As jovens viúvas marcadas/ E as gestantes abandonadas, não fazem cenas/ Vestem-se de negro, se encolhem/ Se conformam e se recolhem/ As suas novenas/ Serenas.
Mirem-se no exemplo/ Daquelas mulheres de Atenas/ Secam por seus maridos/ Orgulho e raça de Atenas.

Enfim, poderia ter utilizado qualquer outra musica para retratar a figura da mulher, porém, estaria tendo uma visão distocida da realidade feminina. Não que eu tenha uma imagem de mulher submissa, mas concebo uma visão romântica da mulher. São heroínas que convivem com o mundo selvagem sem perder a feminidade. Quando amam são amantes eternas, capazes de secarem e perderem a vividez por um grande amor. São seres apaixonantes e apaixonadas por seus ideais. Mulheres que lutam para serem felizes e para tornarem tudo a sua volta em amor. São mártires de uma sociedade em que a muito tempo perderam seus valores e princípios e, como homem, sugiro aos demais a mirarem no exemplo das mulheres de Atenas que largam tudo em favor dos seus ideais.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

De volta à barbárie

Assistindo ontem o paredão do BBB10 percebi o quanto o Brasil é um país antagônico. Durante séculos o povo brasileiro lutou pelos direitos humanos; direito da livre expressão; direito a liberdade sexual; direito de conviver numa nação sem preconceitos e rótulos. Foram inúmeros indivíduos que sacrificaram suas vidas aspirando um Brasil sem preconceitos, na tentativa de construir uma nação onde todos pudessem exercer sua cidadania de fato e de direito.
Não podemos esquecer que a historia brasileira foi, e ainda continua sendo, repleta de fatos de intolerâncias contra as minorias. Quantos índios e negros foram escravizados, mortos e ceifados seus direitos? Quantas mulheres foram destituídas do direito de decidir o seu próprio futuro, tornando meros objetos do machismo? Quantos homossexuais não foram agredidos e mortos pelo fato de lutar pela liberdade de expressar seu amor? Em nenhum momento da historia a classe dominante preocupou-se com os excluídos e os marginalizados, pelo contrário, procuraram cada vez mais segregar as minorias nos guetos da sociedade.
Quando achamos que estamos superando os nossos limites da intolerância ao próximo, assistimos em canal aberto a carnificina dos direitos individuais de livre expressão. Sabendo que um dos maiores mecanismo formadores de opiniões é a televisão, a qual tem um papel crucial na formação de consciências humanitária, verificamos que este papel foi jogado na lata de lixo em prol da audiência e, quem sabe, obter mais lucros com a violação dos princípios éticos, morais e políticos.
Quantos brasileiros neste momento estão regozijando ao saber que um indivíduo másculo, com gírias toscas, comportamento selvagem e heterossexual foi escolhido para continuar na luta pelo um milhão e meio de reais?Algo contra? Não! Todos têm o mesmo direito, porém, não podemos esquecer que neste caso outra pessoa foi oprimida e marginalizada. Será que o resultado não seria diferente se a concorrente no paredão fosse heterossexual? Quantas pessoas não explodiram de alegria ao escutarem que um indivíduo iria quebrar o dedo da adversária e enchê-la de pancada até ser atendida num pronto-socorro se ela não fosse mulher? Quantos brasileiros não gritaram aos quatros cantos do país o seu apóio ao candidato e repúdio ao adversário do sexo feminino e de orientação sexual oposta?
“É isso mesmo Dourado, quebra o dedo desta sapatona!” “Vai Dourado, elimina essa bigoduda!” “Mostra ao Brasil que somos um país macho!” “Vamos acabar com essa viadagem no Brasil!” Essas e inúmeras outras frases foram clamadas em todo o Brasil. Contudo, alguém percebeu algo nestas frases? Por que será que em nenhuma das frases a Angélica não foi chamada pelo seu nome de batismo? Por que não o chamaram o Dourado de bruto, de selvagem, de tosco? Sabe por quê? Pelo simples fato da Angélica ser mulher e não ser heterossexual. Infelizmente a sociedade machista brasileira não aceita que a mulher ocupe espaço de destaque e muito menos recuse se submeter aos desejos sexuais masculinos.
Entretanto, não só culpo os brasileiros por esta atitude; a emissora contribuiu para que se propagasse uma cultura de intolerância e violência contra o próximo. Bem criativa as charges exibidas pelo programa. Porém, esquecemos de fazer uma análise profunda da ideologia imposta de forma astuciosa. Por que sempre as caracterizações dos indivíduos homossexuais são exacerbadas pela orientação sexual? Será que alguém percebeu que o veículo motorizado da Angélica tinha formato de sapato? Por que será que tinha esse formato e qual finalidade tinha? Seriam estereótipos...?
Fico ainda mais triste ainda em saber que milhares de brasileiros se lamentam ao ver na mídia indivíduos de orientação sexual diferente das deles e acham que os mesmos são influências negativas para a educação dos filhos. No entanto, nenhum pai ou mãe questiona os valores grotescos do Dourado. Será que estes pais preferem que seus filhos sejam agressivos, bandidos, agressores, assassinos a serem gays ou lésbicas? Cadê os valores humanos da família? Ser um indivíduo de orientação sexual diferente é tão tenebroso assim?
Não entendo o por quê dos brasileiros almejam tanto um país sem violência ao passo que nas pequenas atitudes se mostram intolerantes. Se quisermos educar nossos filhos na cultura de paz, valorizando os princípios éticos da boa convivência; é preciso, antes de tudo, aprender a respeitar o próximo. Ter uma tonalidade de cor diferente, uma orientação sexual diferente, um aspecto físico diferente não é sinônimo de inferioridade e, muito menos, de desprezo. Enquanto estivermos cultuando os valores de uma sociedade machista e preconceituosa nunca iremos sair do estado de barbárie. Não adiantar se gloriar em ser no futuro a quinta maior economia do mundo se o nosso povo não souber conviver com o diferente.

sábado, 12 de dezembro de 2009

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Saboreai a vida com emoção




É preciso saborear a vida, degustando cada segundo de vida que temos. Nada é eterno e tudo é passageiro. Um dia fomos crianças; hoje somos adultos e amanhã só o destino saberá dizer. Cada momento que temos nas nossas vidas é único, não podemos voltar atrás; é preciso seguir em frente, cruzando o desconhecido em busca da felicidade.




O tempo escorre entre nossas mãos. Não podemos segurá-lo e, com um piscar de olhos o tempo passa, corre, voa. Resta-nos apreciar diante de um espelho as marcas nos nossos rostos. Não podemos, jamais, perder tempo. Temos que viver intensamente o nosso momento presente. O passado passou, o futuro é algo incerto e, hoje, é o nosso dia de ser feliz.




Temos tão pouco tempo para saborear os presentes que a vida nos dá e, esse tempo se torna muito menor quando desviamos as nossas atenções a elementos de pouca importância e que de nada irá nos tornar feliz. O mundo foi feito para ser degustado, saboreado. Senti-lo com todo o nosso ser.




De nada adianta pedras preciosas, ouros, prestígios se eles não nos trazem a felicidade. A felicidade não está nas coisas, nos objetos e, sim, em nós mesmos. A felicidade está dentro de cada um e, somente irá manifestar, se cada um de nós souber cultivar o amor. O amor é um dom gracioso, não tem preço e é benéfico à alma. Somente com o amor podemos construir nossos verdadeiros tesouros que transcedem a existência humana e todo seu entendimento.




É necessário saber viver! Viver não é está no mundo como um passageiro, vendo o mundo passar diante de uma janela. É muito mais do que isto: viver é uma constante aprendizagem. Estamos vivos para aprender a ser HUMANO. E, ser um humano é saber que somos limitados, porém, infinitos. Podemos construir nossa historia em vez de ser meros expectadores da historia. Somos o que semeamos.




Assim como o sol nasci todos os dias, temos a oportunidade de sermos felizes todos os dias. Ser feliz só depende, exclusivamente, de cada um de nós. Para isto, basta abrir as portas das nossas almas para a vida e degustar a vida com emoção.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Meus sonhos: meu alimento



Hoje senti a vontade de sonhar, de alcançar voos sobre o mundo da imaginação. Voltar a ser criança com poderes de criar e recriar o mundo a minha volta. Como é mágico ser criança! O poder que temos de voar sem sair do chão. Quero voar sobre as nuvens. Contemplar o céu com o calor dos raios do sol aquecendo minha alma. Quero voar mundos, conhecer novas vidas. Quero subir alto e acompanhar os passos dançantes das nuvens. Sentir o ar tocar no meu rosto e adormecer embriagado de felicidade. Como é bom sonhar!

Fecho meus olhos e logo estou voando... Tenho poderes mágicos... Posso voar, posso congelar o tempo... Sou invencível. Quero ser o Sonho de Ícaro “Voar, voar; Subir, subir; Ir por onde for; Descer até o céu cair; Ou mudar de cor; Anjos de gás; Asas de ilusão; E um sonho audaz; Feito um balão...” Quero descansar meus pés calejados de caminhar em busca da felicidade. Quero criar asas e elevar o meu ser a novos horizontes.

Meu ser é como ar; ninguém o consegue aprisionar, somente tocá-lo. “Eu sou assim; Brilho do farol; Além do mais; Amargo fim; Simplesmente sol...” Quero sair sem destino, desbravar o mundo da imaginação e tornar tudo em realidade. Quem não gostaria de tornar sonhos em sonhos possíveis, reais? Sou como uma criança e tudo “O que sai de mim; Vem do prazer; De querer sentir; O que eu não posso ter; O que faz de mim; Ser o que sou; É gostar de ir; Por onde, ninguém for...; Do alto coração; Mais alto coração...” Quero sentir meu coração bater forte, emocionado por viver... “Viver, viver; E não fingir; Esconder no olhar; Pedir não mais; Que permitir

Não quero acordar, quero continuar a sonhar. Enquanto adormeço com meus sonhos aprendo que a vida pode ser mais fácil. Que a vida pode ser mais feliz e o mundo pode ser diferente. Quero que a chuva do prazer caia e molhe a terra da fantasia, fazendo com que brote a esperança de dias melhores. Pode ser que seja capricho da minha imaginação, mas quero sentir a minha infância quando em dias de inverno ficava na janela da minha casa e contemplava as gostas da chuva caírem do céu e tocarem a terra. Gotas por gotas, molhando onde um dia era seco e com o passar do tempo perceber que a terra estava úmida e fértil e, após cessar a chuva ver no céu os raios dos sol aquecer a vida, observando os pássaros, as borboletas abrirem suas asas e voarem junto com meus sonhos.
Sinto a necessidade de sonhar; de ter um mundo particular; de extravasar os limites dos ser humano. Preciso navegar os mares da incerteza e pôr em terra a certeza de que tenho a capacidade de realizar meus sonhos. São os sonhos que alimenta e move a humanidade, sem eles, tudo ainda continuaria sendo o caos. Sonhar é viver. Ninguém vive sem sonhos. Alguns sonham sonhos grandiosos; outros, pequenos e simples, porém, todos sonham. Eu tenho meus sonhos e preciso deles para sobreviver nesse mundo de desilusões. Enquanto o mundo real não seja aquilo que imagino nos meus sonhos, quero continuar a fantasiar o mundo. Vou continuar a sonhar como o Ícaro e quem sabe, um dia, posso acordar do mundo da imaginação e perceber que a vida real é muito melhor do que o meu mundo imaginário.

Texto em itálico extraido da letra da musica Sonho de Ícaro (Composição: Pisca / Claudio Rabello)

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Alucinação de vida

Acordei com uma sensação estranha. Tinha alguém a observar meu silencioso sono. Estranho! Estava no meu quarto e encontravam-se eu e eu mesmo. Ninguém estava ali que pudesse velar meu sono. Olhei para o lado e vi algo estranho; ele estava me olhando. Silenciosamente observava o meu despertar. Mudo, não dizia se quer uma palavra, porém, continuava a olhar-me.

Olhei nos olhos dele. Senti a sensação fria do julgamento. Será que ele está me condenando? O que eu fiz? Será que ele está olhando para meu corpo seminu? Cobri com o lençol o meu corpo envergonhado com tais olhares fuzilantes. Contudo, ele permanecia a olhar e aquela sensação me deixava mais constrangido. O que tenho de anormal? Por que será que ele me olha intensamente? O que está passando na mente dele? Meus pensamentos entravam em colapso tentando desvendar a mente daquele sutil e frio observador.

Permanecia em silencio a observar. Será que ele está lendo os meus pensamentos? E agora, o que será de mim? Tentei virar de lado e esconder meu rosto, mesmo assim, sentia que estava sendo observado. Drogas! Por que ele não fala o que quer de mim? Encarei-o. Estava eu e ele trocando olhares: mudos; estáticos e frios. Tentei levantar-me e ir em direção a ele. Não tive coragem, recuei-me e continuei debaixo das cobertas. Que corajoso eu sou! Não tive coragem. Seu olhar era demasiadamente torturante fazendo com que não tivesse se quer uma atitude em relação a este sujeito.

Tentei fechar os olhos, mas não adiantava. Ele invadia meus pensamentos e dilacerava qualquer reação que minha mente tinha. Sim, ele estava a me julgar. Seus olhos acusavam. Agora não era somente o seu olhar que me intrigava, descaradamente estava com um sorriso no canto da boca. Estava a me recriminar? Oh! Dúvida cruel. Por que agora era alvo do deboche? Não posso ser eu mesmo? Ficava cada vez mais constrangido e triste no canto da minha cama.

Olhei aflitamente as horas do relógio. Eram 6:30h da manhã. Queria sair correndo do quarto e acabar com essa situação. Entretanto, meu corpo não obedecia. Estava encarcerado. Prisioneiro dos olhares daquele sujeito estranho. Os minutos corriam como águas num rio de corredeiras perigosas. E estava eu e ele trocando olhares: mudos, estáticos e frios. Por vários minutos permanecemos nessa situação desoladora: ele olhando e eu tentando saber o que se passava na mente dele sobre a minha pessoa. Triste! Não conseguia decifrar a mente dele. Era uma luta em vão. Ele era mais forte. Restava-me fechar os olhos e esperar as horas passar para que aquele sujeito fosse embora.

Não agüentava mais essa situação. Respirei fundo, criei coragem, olhei nos olhos dele e disse: O que você tem contra mim? Por que me olhas com desdém? Calado estava, calado ficou. Se quer disse alguma palavra. Somente balançava sua cabeça para um lado e para o outro como se tivesse reprovando minha atitude. Envergonhado, culpei-me: como tive a coragem de ter tamanha atitude? Agora ele já tinha mais um motivo para me condenar. Como fui inocente em achar que ele iria revelar todos os seus pensamentos sobre mim. Senti raiva! Estava furioso por cometer essa atitude e, cada vez mais, envergonhado com a presença dele.

Engraçado! Essa sensação já havia sentido antes. Não lembro o tempo, o espaço, o sujeito, a ação. A única certeza que já havia presenciado essa sensação em algum determinado momento da minha vida. Creio que também outras pessoas já vivenciaram a mesma situação. Quem nunca foi alvo dos olhares da sociedade, do seu julgamento, das suas atitudes? Com certeza, muitos de nós, em algum momento, formos vitimas das investidas cruéis da sociedade.

A sociedade olha-nos com um ar de arrogância: sempre é superior. Tudo o que difere dos padrões, costumes, regras do seu pensamento secular é alvo de condenação. Somos julgados sem ao menos ter o direito da defesa. Apontados. Apedrejados. Dilacerados. Excluídos. Que ser cruel! Por que não podemos ter nossa própria “vidinha”, livre e feliz, sem o julgamento dos outros? Por que temos que fazer parte dessa massa recheada de privações? Temos que modelar nossas vidas em função dos outros? E, se rebelarmos, o que acontecerá conosco?

Desesperadamente, esfreguei meus olhos com os dedos na tentativa de acordar desse pesadelo. Porém, ele continuava a me olhar e reprovar minhas atitudes. As lágrimas quiseram percorrer e umedecer a linhas desgastadas com o tempo do meu rosto. Senti mais triste em saber que estava triste com essa situação. Era fato! Ele me julgava e eu não podia fazer nada contra. Cobri meu rosto com as mãos desesperado e envergonhadamente. Nada podia fazer. Era eu e o ventilador. Era eu e a sociedade.

domingo, 16 de agosto de 2009

Estudar ou trabalhar?

É fato que desde os tempos remotos, o ser humano compreende a instrução como forma de perpetuar a sua espécie. Desde os homens e mulheres das cavernas até o ser moderno a educação tem influenciado as nossas relações. Na pré-história a educação era oral e espontânea, passada de pais para filhos a fim de obter a sobrevivência. Utilizavam-se das experiências cotidianas para desenvolver habilidades e conhecimentos.
Com o passar dos tempos, mais precisamente, com o desenvolvimento da linguagem escrita e o seu registro, a educação ganhou um novo patamar nas relações sociais. Além de instruir as novas gerações, ela servia para registrar a história que cada povo construía. Para os gregos a educação estava a serviço da formação dos novos cidadãos que iriam governar suas cidades-estados. Algumas cidades-estados priorizavam o culto do intelecto; outras a formação de guerreiros. Porém, todas comungavam a mesma idéia: a educação é fundamental para a sobrevivência.
Ao longo da história a educação tomou muitos rumos. Muitos pensadores ao compreender a educação e sua função na sociedade elaboraram teorias que até hoje fundamenta os pressupostos teóricos do ato de educar. A educação foi classificada como tradicional, moderna, técnica; como também, sua função foi discutida. A educação serviu e, ainda serve, para a dominação ou para a libertação. Para a alienação ou emancipação do pensamento. Ela está presente no nosso dia-a-dia. Muitos crêem que a educação somente se faz no ambiente escolar e/ou universitário, contudo, esquecem que no convívio em sociedade estamos aprendendo, estamos sendo instruídos.
Nesse sentido, podemos observar que a educação é de suma importância para a vida de cada ser. E cada vez mais, se faz necessário na atualidade. Em tempos de tecnologia de ponta, o conhecimento se processa em alta velocidade, exigindo que cada um de nós, tenha domínio de um leque de conhecimentos e habilidades que, somente, por meio deles, possamos está inserido no mercado de trabalho.
Entretanto, a relação educação e mercado de trabalho têm travado grandes discussões. Qual a finalidade da educação na atualidade? Qual a relação entre trabalho e educação? Sabe-se que a uma relação muito íntima entre anos de estudo e trabalho. Quanto mais anos de estudo o indivíduo tem, mais chances dele entrar no mercado de trabalho e conquistar uma boa remuneração. Contudo, ter um diploma de nível superior não significa a obtenção de um bom emprego e, muito menos, ser remunerado com decência.
Infelizmente, no Brasil temos um grande legado de descaso com a educação popular. A educação no nosso país por muito tempo era direcionada a instrução da elite dominante, enquanto, as camadas populares restavam, somente, o ato de ler e escrever e, isso, quando se tinha o acesso a instrução inicial. Muitos brasileiros não tiveram e não tem acesso a educação. Ocupando profissões que exigem a força física em detrimento ao intelecto. Por sua vez, são profissões más remuneradas.
Surge um dilema: trabalhar ou estudar? Como um filho de um trabalhador de uma classe popular pode obter um grau de nível superior se seus pais não são bem remunerados? Como investir em educação, se não tem nem o dinheiro para sua alimentação básica? Como dedicar-se ao estudo se a perspectiva de um bom emprego é algo irreal? Esses e outros questionamentos são diariamente ruminados por um grande contingente de indivíduos no Brasil.
Todavia, aqueles que adquirem uma educação de nível superior encontram-se um grande obstáculo na travessia da academia para o mercado do trabalho. Falta para estes indivíduos a experiência profissional. O mercado de trabalho não só exige a qualificação intelectual, como também, à experiência profissional. Como adquirir experiência no mercado de trabalho se este indivíduo estava nos bancos das escolas dedicando aos estudos para desenvolver as competências e habilidades tão exigidas para o cumprimento satisfatório de sua função no posto de trabalho? Como adquirir experiência se temos uma tradição de não acolher os novos jovens no seu desafiante primeiro emprego?
São pouquíssimas empresas que investi na formação de jovens talentos. E muitas dessas empresas, exigem aos seus iniciantes uma jornada de trabalho exaustiva e que, em pouco tempo, gera o êxodo escolar. Muitos jovens são obrigados a trabalhar diurnamente e no período noturno desenvolver suas habilidades cognitivas. É uma jornada cansativa e desgastante e, não é pior, do que ao final do mês, ao receber seu salário, ver que o seu esforço não está sendo recompensado. Geralmente, esses jovens trabalhadores possuem baixos salários.
Convivemos com um grande contraste: há muitas vagas e poucas mãos de obras qualificadas. Como qualificar-se com os obstáculos impostos pela vida? Como entrar no mercado de trabalho sem a experiência? São dilemas que até então não foram resolvidos. Anualmente milhares de universitários deixam os bancos da academia em direção ao mercado de trabalho, porém, ao tentar uma vaga no mercado, encontra-se com uma exigência cruel: a experiência. Então, como ter experiência profissional se não temos a oportunidade de trabalhar?
O Brasil não é só um país diversificado, uma nação multicultural; é também, um país de exclusão. Todos os dias são excluídos milhares de cidadãos, negando seus direitos básicos conquistados com muitas lutas e oficializado pela Constituição. É desolador para um jovem saber que durante anos dedicou-se aos estudos com o intuito de desenvolver habilidades e competências exigidas pela sociedade para adquirir um bom emprego e, após a obtenção do seu grau, saber que não irá fazer parte do mercado de trabalho por um bom tempo. Infelizmente, no Brasil, precisamente, nas regiões menos desenvolvidas, possuir um diploma de nível superior não é garantia de emprego, restando a esse jovem profissional desenvolver atividades totalmente diferentes de sua formação.
Valeu a pena tantos anos de estudos? Valeu a pena obter um diploma? E, em vez, de ter dedicado anos de estudos tivesse entrado no mercado de trabalho cedo? Ter um emprego, mesmo mal remunerado ou um diploma e somar a tantos outros jovens sem emprego? Estudar ou trabalhar? São reflexões que deveríamos diariamente discutir, para que minimizasse os obstáculos na obtenção do primeiro emprego.
Educação é um direito de todos. Dever do Estado e da família. Para garantir esse direito é necessária uma reforma nas estruturas educacionais do nosso país. Não é voltar a educação para o mercado de trabalho, mas fornecer ferramentas capazes para que esse jovem possa, após sua formação, obter um emprego e desenvolver satisfatoriamente sua função. Além disso, oportunizar aos jovens a aquisição da experiência, mesmo que ao entrar no mercado, não possua nenhuma experiência profissional. Só podemos adquirir experiências se estivermos trabalhando. Só poderemos estar no mercado de trabalho se tivermos qualificações. A educação torna-se de fundamental importância na vida de cada ser. Ela desde os primórdios serviu para a sobrevivência. E hoje, como nunca, ele permite a sobrevivência e a liberdade de pensamento. Ter conhecimento é ter poder. Sem conhecimento não somos cidadãos. O exercício da cidadania exige amadurecimento intelectual, para isto, é necessário o direito a educação.
Estudar ou trabalhar? Nosso dilema de cada dia! Enquanto essa dicotomia não é suprimida, temos que continuar a crer que a somente com a EDUCAÇÃO poderemos mudar os destinos de nossas vidas e, por conseqüências, o destino de nosso país. Um país sem homens e mulheres com instrução e sem o direito ao emprego, não é um pais de direito de fato. Oportunizar a educação e emprego é fornecer aos seres humanos o direito de sobreviver e perpetuação da espécie.